quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Trem-Bala Perdida

Finalmente o governo resolveu expandir o PAC, abreviatura do programa conhecido por PACO, sigla baseada no homônimo que significa - Pacote de papéis velhos que simulam papel-moeda, geralmente cobertos por uma nota verdadeira, e usado por inescrupulosos ao passarem o conto-do-vigário -, ao incluir o importante e essencial projeto de revitalização da antiga ligação ferroviária Rio/SP, através do moderníssimo sistema do Trem-Bala Perdida.

O projeto, desenvolvido pela KMDB - Kharkiv Morozov Machine Building Design Bureau (Барківське Конструкторське Хюро Бпо Mашинобудуванню, com sede em Omsk, Rússia, foi escolhido vencedor apesar de não ser a proposta mais vantajosa em termos de preço, mas levou em consideração a grande experiência do escritório russo de projetos no desenvolvimento de veículos blindados, tais como os carros-de-combate pesados T-55, T-72 e T-80.

Integrantes do BOPE, liderados pelo capitão Wagner Moura, da Rede Globo, forneceram à KMDB, importantes informações táticas baseadas em suas experiências de campo com os veículos do tipo Caveirão usados contra a guerrilha urbana na ex-Cidade Maravilhosa.

Concepção artística de um vagão do Trem-Bala Perdida (clique na imagem para ampliar):



Comenta-se que tanto a alteração do nome anterior do projeto, assim como a necessidade de utilização de composições ferroviárias blindadas, passaram a fazer parte das especificações técnicas governamentais, a partir do episódio ocorrido em 10 de setembro de 2007, quando o trem que conduzia os ministros das Cidades, Márcio Fortes e da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, além de inúmeros assessores, baba-ovos, jornalistas e um grupo de seguranças a paisana da PMRJ, foi alvo em sua viagem inaugural, de saraivadas de disparos de armas de fogo automáticas, provenientes das incontáveis favelas que margeiam um trecho ferroviário reaberto, na zona norte do Rio de Janeiro.

O lamentável episódio felizmente não deixou vítimas e as únicas consequências se limitaram as dezenas de perfurações de projéteis de grosso calibre nos vidros e revestimento externo dos vagões e algumas manchas nos paletós dos convidados, obrigados a se jogar no chão dos vagões, para se protegerem das balas, embora algumas notícias maliciosas tenham informado que também foram observadas inexplicadas manchas nos fundilhos das calças de vários passageiros, durante a intensa troca de tiros entre os seguranças e os meliantes, enquanto a pacífica composição percorria o seu trajeto com a vertiginosa velocidade de 20 Km/h.

Ainda segundo informações, o Trem-Bala Perdida será extremamente seguro para seus usuários, uma vez que a empresa projetista russa garantirá a integridade física dos passageiros através de blindagens do tipo IV que resiste a ataques de armas como os fuzis AK-47 e AR-15 e estilhaços de granadas de mão.

As composições do Trem-Bala Perdida, que trafegarão em determinados trechos através de corredores ou nas vizinhanças de comunidades carentes dominadas por traficantes, principalmente nas periferias do Rio e SP, não terão janelas de vidro e seus condutores usarão periscópios e câmaras de vídeo infra-vermelho para visualização da via férrea e cercanias. Além desses recursos cada vagão terá um conjunto de armas remotamente controladas, para revidar qualquer agressão externa.

O projeto do Trem-Bala Perdida, orçado inicialmente em US$ 9 bilhões (aprox. R$ 18 bi) para a construção da linha e aquisição dos equipamentos ferroviários, ligará a Estação da Luz, no centro de São Paulo, à Central do Brasil, no Rio, percorrendo os 403 quilômetros entre as duas cidades em 1 hora e 12 minutos, e atingindo a velocidade máxima de 380 quilômetros por hora. Cada composição terá capacidade para transportar 855 passageiros, com saídas simultâneas das duas cidades, entre 05:00 e 00:00 hs, a cada 15 minutos, intervalo este que poderá ser reduzido se a procura ultrapassar os 129.960 passageiros por dia, quantidade de usuários considerada muito abaixo das previsões mais pessimistas do governo.

Para se concretizar, o projeto precisará ainda receber o aval do Ministério da Defesa, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do presidente Hugo Chávez, da Venezuela.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008